Livros estrangeiros são os que mais vendem na China

Fonte: http://diariodigital.sapo.pt/

Os livros estrangeiros, sobretudo “best-sellers” e clássicos, são os que mais vendem na China. Os segredos para ganhar dinheiro e as visões modernas da cultura chinesa são os temas preferidos dos leitores chineses, informou hoje a imprensa chinesa.

As vendas dos títulos estrangeiros na China aumentaram em 2007, gerando mais receitas do que as últimas novidades de autores chineses no mercado doméstico, segundo um estudo de mercado divulgado pela Joyo Amazon, a maior livraria chinesa on-line, publicada pelo jornal oficial China Daily.

Mas a aposta em livros premiados, como o Prémio Nobel da Literatura, pode ser uma jogada arriscada para as editoras chinesas, alertaram alguns profissionais da indústria, porque, segundo o jornal, os chineses preferem mesmo saber como multiplicar o seu dinheiro e estão interessados nas interpretações modernas da história e cultura chinesas.

“Harry Potter e os Talismãs da Morte”, da britânica J.K.Rowling, “Cães de Babel”, de Carolyn Parkhurst, “A Mulher do Viajante no Tempo”, de Audrey Niffenegger, e “O Guardião de Memórias”, de Kim Edward, encontram-se na lista dos dez livros mais vendidos na China em 2007, de acordo com o China Daily.

Com a China cada vez mais atenta ao resto do mundo e integrada numa lógica de globalização, o interesse na cultura estrangeira está a crescer no país, e a previsão é que as vendas de literatura estrangeira continuem a subir nos próximos anos, afirma Yang Zao, um crítico do jornal financeiro 21th Century Business Herald.

Clássicos literários como “Jane Eyre”, de Charlotte Bronte, “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, “Mulherzinhas”, de Louise May Alcott, e “O Principezinho”, de Saint-Exupéry, mantiveram-se durante longas temporadas na lista dos 50 livros em inglês mais vendidos no site da Joyo Amazon.

Contudo, os premiados com o Nobel da Literatura não estiveram à altura das expectativas das editoras chinesas. O investimento financeiro e a cultura chinesas são os temas que têm desviado a atenção dos leitores chineses dos grandes sucessos literários internacionais, segundo o China Daily.

Seis dos livros mais célebres do escritor turco Orhan Pamuk, Nobel em 2006, venderam cerca de 500 mil cópias na China, 300 mil das quais eram de “O Meu Nome é Vermelho”, de acordo com Shi Hongjun, presidente da editora Beijing Centre Culture Vision Communications.

“O Caderno Dourado” e “A erva canta”, da escritora britânica Doris Lessing, que ganhou o Nobel em Outubro de 2007, venderam menos de 20 mil cópias.

“Milhares de chineses têm ajudado a promover o entusiasmo entre as editoras para o lançamento de todo o género de leituras acerca da vida prática: finanças pessoais, investimento na bolsa, saúde e culinária, bem como de muitos títulos que popularizam a cultura tradicional, a arte e a filosofia chinesas”, assegurou Qiu Hengming, crítico literário, ao China Daily.

As estatísticas mostram que, só nos últimos dois anos, as editoras chinesas publicaram pelo menos mil livros, tanto chineses como estrangeiros, sobre tácticas de investimento e estratégias de compra e venda de acções na bolsa, que cresceu 130 por cento em 2006 e mais de 110 por cento em 2007.

“É arriscado publicar este género de livros, uma vez que as vendas podem ser afectadas pelas flutuações no mercado de capitais”, adverte Zou Yugin, um crítico da publicação económica China Book Business News. “Mas muitas editoras, atraídas pelos potenciais lucros elevados, entraram neste ramo”, acrescentou.

“A Handy Book for Retail Investors in Equity and Fund Markets”, de Chen Huojin, um professor de economia na Universidade Industrial de Pequim, é um dos últimos sucessos financeiros, que vendeu cerca de 200 mil cópias até agora.

Segundo um estudo da Dandang.com, uma conhecida livraria chinesa online, as “visões alternativas acerca da história e cultura chinesas” são outro tópico que mantém a popularidade no mercado dos livros há anos.

A interacção entre livros, programas de televisão e editoras tem estimulado a promoção de autores não profissionais que oferecem novas formas de perceber as tradições chinesas, observou Hao Hongjie, um crítico literário de Pequim, citado pelo China Daily.

 

Yu Dan, uma professora de comunicação da Universidade Normal de Beijing, e Dangnian Mingyue, uma empregada da alfândega cujo nome real é Shi Yue, estão entre uma mão cheia de autores com explicações “alternativas” da cultura e história chinesas que seduzem inúmeros leitores e ao mesmo tempo são criticadas por uma legião de historiadores e investigadores.

He Mingxing, crítico e investigador, defendeu ao China Daily que “a leitura sobre a cultura chinesa é uma tendência que nunca deixou de existir”.

Segundo o Centro de Pesquisa e Monitorização do Mercado Livreiro de Pequim, os quatro grandes clássicos chineses – “Sonho do Quarto Vermelho”, “Foragidos dos Pântanos”, “Viagem ao Oeste, “O romance dos três reinos” – venderam pelo menos 3 milhões cópias só em 2006.

“A procura de livros que decifram os códigos da história e cultura chinesas continua a crescer (…). A idade de ouro dos livros deste género ainda agora começou”, assegurou He.

1 Resposta para “Livros estrangeiros são os que mais vendem na China”


  1. 1 vitor roberto buzinaro agosto 19, 2008 às 5:18 pm

    Estou procurando um livro ou revista Chinesa que me explique como plantar a Citronela, muito cultivada na China, exelente em oleos essenciais.

    vitor


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